segunda-feira, 11 de abril de 2011

Procissão do Senhor dos Passos

Ontem, Domingo V da Quaresma, dia 10 de Abril de 2011, pelas 15h30 realizou-se a Procissão dos Passos pelas ruas de Viana do Castelo. Já o ano passado estive para fazer uma pequena dissertação sobre o acontecimento. Não foi o ano passado, é agora!

A procissão foi antecedida pelo Ofício de Vésperas cantado, com a participação de vários clérigos do arciprestado de Viana do Castelo, e de muito povo que dos seus lugares acompanhou a oração com todo o fervor.

Este ano a função litúrgica surpreendeu-me deveras devido a dois elementos tradicionais que despertaram a minha atenção:

1 - O pároco de Santa Maria Maior e arcipreste de Viana do Castelo, Padre Armando Dias, encontrava-se de vestes corais (batina e sobrepeliz), coisa que já há algum tempo não se via por estas paragens e que me deixou profundamente admirado.

2 - O sacerdote que presidiu à celebração (este ano não foi o nosso Bispo...) envergava um belíssimo pluvial (ou capa de asperges) roxo, que demonstrava alguma idade, sem contudo perder a elegância.

Terminado o Ofício Divino, saíu a procissão! O andor do Senhor dos Passos era transportado por oito homens, o que fez recordar o dia do incêndio da Igreja Matriz, em 1809, em que esta mesma imagem se tornou miraculosamente leve, tendo escapado às costas de alguns vianenses a um destino trágico. O único sinal que nos recorda esse fatídico dia é o enegrecimento da face e das mãos de Nosso Senhor, devido ao calor e ao fumo das labaredas.

Chegada a procissão à Praça da Rainha (que hoje apresenta a denominação do regime em vigor: república), o Padre Jorge Barbosa, brindou os presentes com um magnífico e eloquente sermão - O Sermão do Encontro, durante o qual Nossa Senhora das Dores se colocou diante de seu filho Jesus Cristo, o Senhor dos Passos: Ela mártir da alma, com a morte de Seu Filho; Ele, em constante sofrimento, a caminhar para o Calvário onde se sacrificaria para redimir o Género Humano.

Quando vi o pregador a posicionar-se para dar início ao sermão antevi um sermão "de arrebentar". Assim foi! O Padre Jorge Barbosa expôs uma série de dados relacionando a Fé, a Doutrina e a Moral Católica com a situação social, económica e política decadente, deste nosso valoroso Portugal.

Das suas palavras saliento a segunte ideia: "hoje em dia, já há pessoas a procurar comida nos caixotes do lixo; não vão encontrar por lá algum crucifixo saído de alguma escola ou instituição pública..." (foram mais ou menos estas as palavras por ele proferidas). Aqui está um excelente exemplo da miséria social relacionada com a miséria moral pela qual a nossa Pátria atravessa.

Terminada o sermão a procissão prosseguiu pelas ruas da cidade até dar novamente entrada na Igreja Matriz, ou melhor, Sé Catedral (ainda não se perdeu o hábito de lhe chamar Igreja Matriz...).

Nosso Senhor dos Passos, tende piedade de nós!
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

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